Missão no processo de aprendizagem

Quem chega ao Colégio São Judas Tadeu se depara com uma bela placa de metal fixada na recepção. Nela, está escrito: Ser uma instituição que desenvolva competências e habilidades, com segurança e afeto, que permita ao educando uma melhor compreensão de si, do outro e do mundo, formando-o em sua plenitude vocacional e humana.

Esta é a missão da escola!

A placa está lá, explícita, para assegurar que o que está escrito nela seja cumprido.

“Se todos tiverem conhecimento de nossa missão, cada um poderá ter mais autonomia para tomar decisões baseadas nela”, explica o diretor administrativo Ivan Galvão Bueno Trigueirinho.

“O porteiro de nossa escola, consciente disso, entende a importância de abrir a porta do carro para um aluno, quando ele chega à porta do Colégio São Judas com seus pais, e de conduzi-lo até o portão de entrada. Essa ação tem a ver com segurança e afeto.”

O papel da escola

Por considerá-la a premissa de qualquer sistema de qualidade e modelo de gestão, há alguns anos, Ivan procurou Dona Alzira Altenfelder Silva Mesquita para entender sua motivação ao fundar e manter um importante complexo educacional.

Dona Alzira foi categórica: “O São Judas tem a missão de despertar a vocação das pessoas”. A afirmativa nunca mais saiu de sua cabeça e assim passou a persegui-la nas pequenas coisas do cotidiano.

Certa vez, um aluno queria uma sala de aula para fazer um vídeo com um professor porque seu sonho era cursar faculdade de cinema em Cuba e fazer o filme era um passo importante para o seu portfolio.

“Eu poderia ter dito que não, afinal, conceder esse pedido não faz parte das atribuições do Colégio. No entanto, na hora em que ele me pediu, veio à minha cabeça a missão da escola. Ponderei e tomei os cuidados necessários para que ele conseguisse chegar mais perto de seu sonho”, conta Ivan.

E assim acontece com todos os projetos institucionais e pedagógicos desenvolvidos na escola.

“Seja em um show de talentos ou em um trabalho sobre eleições, estamos sempre revelando possibilidades para que os estudantes experimentem caminhos que um dia possam querer seguir”, afirma.

“Nossa missão não é um discurso, e sim uma vivência!”

Muitas formas de aprendizagem

A premissa de uma escola é fazer com que o aluno aprenda. Para chegar a esse fim, que está explícito na missão da escola, o Colégio São Judas adota diferentes estratégias. Na Educação Infantil e no 1º ano do Ensino Fundamental, por exemplo, a proposta contempla o educar e o cuidar, sem deixar de lado a brincadeira.

Quando o assunto é o processo de alfabetização, entra em cena o método fônico, que foca o ensino na associação de grafemas (letras) e fonemas (sons). Leitura e escrita são trabalhadas desde o Infantil I (3 e 4 anos), com atividades em que as crianças aprendem a segurar o lápis, familiarizando-se com o ato da escrita.  Contar histórias também os aproxima da estrutura dos textos desde cedo.

No Infantil II (4 e 5 anos), mesmo sem domínio total da escrita, os pequenos já são estimulados a escrever, como sabem, por meio de ditados e outras atividades de produção de textos individuais e coletivos. No fim do 1º ano do Ensino Fundamental (5 e 6 anos), em geral, todos estão alfabetizados.

Quando essa turma chega ao 2º ano do Ensino Fundamental, a preocupação é fazer com que eles saibam interpretar o que leem e escrever do melhor jeito para se comunicar com efetividade. Nesse segmento, o método adotado é o global analítico, que trabalha do todo para as partes, ou seja, do texto para a palavra.

“Assim funciona com todas as disciplinas, com exceção de Língua Espanhola e Língua Inglesa, em que a professora adota outros métodos”, explica a coordenadora pedagógica Mônica Miotto Bertolini.

No Ensino Médio, todo o conhecimento é mediado por professores qualificados e experientes. Muitos, inclusive, lecionam no Ensino Superior e possuem títulos de mestrado e doutorado. O corpo docente está sempre atualizado com o que acontece no mundo e também na própria disciplina.

“Sua função é mostrar aos alunos que eles necessitam dos conhecimentos escolares para viver, tomar decisões sobre a vida e continuar os estudos”, explica o diretor José Ribeiro Filho.

“Ele tem de ter vocação de ensinar de maneira que o estudante tenha prazer em estar na sala de aula.”

Relacionamento na escola

A palavra “afeto” marca presença no Colégio São Judas, tanto que ela compõe a missão da escola. Conhecer cada aluno não significa decorar nome ou número de matrícula (o que já é um diferencial).

A intenção é se aproximar de cada estudante para conhecê-lo realmente.

Na Educação Infantil e no 1º ano do Ensino Fundamental, o acolhimento acontece também com os pais ou responsáveis.

“Os adultos entram na escola todos os dias e acompanham as crianças até a porta da sala”, afirma a diretora Cibele Cortelli Trigueirinho.

O afeto também transparece nos projetos pedagógicos.

“Sempre que fazemos um trabalho, envolvemos os pais e os familiares.”

Cibele faz questão de citar a atenção que dispensa à sua equipe. “Quando uma professora falta por motivos de saúde, ligo para saber como ela está passando e se precisa de algo”, conta.

“Certa vez, uma novata me perguntou se eu tinha o hábito de fazer isso sempre, pois ela nunca havia tido esse tipo de atenção de seus superiores.”

No Ensino Fundamental (a partir do 2º ano), a parceria com os pais acontece logo no início de cada ano.

Geralmente, no fim de janeiro, diretora, coordenadora pedagógica e professoras do segmento recebem os adultos para compartilhar informações importantes do ano letivo e aproveitam para aplicar uma dinâmica de grupo, que revela um pouco de como será a vida dos estudantes no ambiente escolar.

“Este ano, cada um recebeu uma palavra e passou a representá-la (sucesso, amor, dedicação etc.). Depois, demos as mãos simbolizando uma corrente e nos comprometemos em não desfazê-la”, descreve Mônica.

Ao longo do ano, esse acolhimento se transforma na atenção que as professoras dispensam aos alunos na correção de um exercício, na mediação de um desentendimento entre colegas, na preocupação com o estado físico e emocional de cada aluno e em tantos outros momentos.

Segurança na escola

Para fazer valer o que prega a missão do Colégio, a escola conta com um bom esquema de segurança. Há câmeras internas e externas, que mostram o que acontece o tempo todo. Atualmente, são 32 câmeras.

“As imagens ficam armazenadas por até 60 dias”, conta Ivo Galvão Bueno Trigueirinho, responsável pela segurança e pela manutenção do São Judas.

“A intenção não é controlar o que os alunos e os funcionários fazem, e sim prevenir ações que coloquem a segurança de alguém em risco.”

Além disso, os seguranças e os porteiros estão atentos aos acessos de entrada e de saída e a tudo o que acontece na rua.

Faz parte das atribuições desse pessoal fazer rondas nas ruas que cercam o Colégio São Judas algumas vezes por dia.

Nos horários de entrada e saída, os profissionais também contribuem para o embarque e o desembarque dos alunos e para atravessar a rua. Ao todo, são sete pessoas na equipe.

O sistema de acesso foi desenvolvido especialmente para a realidade do São Judas. Ele mantém o histórico de entradas e saídas. Com isso, é possível controlar, monitorar e ser mais efetivo na movimentação de alunos, pais ou visitantes. Sempre um inspetor acompanha esse momento.

Diariamente, depois que os alunos passam pelos acessos, só saem com autorização dos pais ou dos responsáveis e, mesmo assim, um funcionário se encarrega de certificar a liberação.

O mesmo cuidado acontece em relação às faltas. A cada cinco ocorrências – faltas ou notificações pedagógicas –, é disparado um e-mail para o responsável descrevendo-as. Em casos específicos, solicita-se uma reunião com a direção.

A obrigatoriedade do uniforme é também uma medida de segurança. Da Educação Infantil à ultima série do Ensino Médio, todos têm de estar devidamente uniformizados para entrar na escola. Essa medida facilita a identificação pelos funcionários e também pelo monitoramento eletrônico de quem pertence ao Colégio nos horários de entrada e saída.

No São Judas, respeito é palavra de ordem. Campanhas de solidariedade, como a tradicional festa junina, que arrecada fundos para a Casa José Eduardo Cavichio (Cajec), em Taboão da Serra (SP), que cuida de crianças e adolescentes carentes com câncer, são feitas sempre na escola. “Páscoa, Dia das Crianças e fim de ano são boas efemérides para pensarmos e desenvolvermos bons trabalhos sociais”, conta a diretora Sineide Esteves Peinado.

Quando se percebe o desrespeito a algum colega, professor ou funcionário, logo há uma intervenção. Na Educação Infantil, as ações são mais lúdicas, mas passam a mesma mensagem. “A literatura tem nos ajudado muito a mostrar para as crianças que existem diferenças e que elas devem ser respeitadas.”

Não são raras as vezes que alunos maiores tentam driblar as regras, como tentar justificar uma lição de casa não resolvida ou o esquecimento de algum compromisso escolar. “Nesse momento, fazemos questão de jogar luz sobre o assunto para mostrar aos estudantes que esse tipo de conduta não é permitido”, pontua Sineide. “Dessa maneira, mostramos aos alunos o que é e o que não é aceitável para se viver em sociedade.”

O projeto institucional sobre sustentabilidade, desenvolvido ao longo deste ano, aborda o tema “respeito” por outro viés: o respeito pelo planeta. “Para mudar o planeta, é necessário, em primeiro lugar, se respeitar para só assim respeitar o colega e, por fim, o meio ambiente”, explica Mônica. Afinal, uma escola que quer se intitular como sustentável deve ser democrática, respeitar as diferenças e, principalmente, ser um espaço de pessoas felizes, onde todos tenham prazer em estar dentro dela.

Despertar de uma vocação

Fazer com que o aluno descubra a própria vocação é missão também do São Judas. Talvez não seja possível fazer isso durante sua Educação Básica, já que tantas questões afligem os estudantes nessa época, mas é função da escola ensinar a buscar durante sua vida o caminho que o levará à felicidade.

“Oriento sempre os professores do Ensino Médio para que as aulas sejam interessantes e que possibilitem o maior número de explorações, na tentativa de despertar vocações”, conta Ribeiro.

Nem sempre os estímulos vêm de conteúdos escolares estudados formalmente em sala de aula. Pode ser que um trabalho extracurricular ajude nessa questão, como um show de talentos, em que as qualidades artísticas são ressaltadas (cantar, dançar, tocar algum instrumento musical etc.).

O Projeto Profissões, ainda em andamento, é um bom exemplo. Nele, os professores Ana Rosa da Silva e Domingos Biondi apresentam habilidades, atitudes, competências e conhecimento de profissões do passado, do presente e do futuro.

O Fórum Profissionalizante, que já está na sua 17ª edição, contribui também com o objetivo de apresentar algumas carreiras aos estudantes. Todos os anos, os adolescentes participam de palestras com profissionais das mais diversas áreas do mundo do trabalho. Ribeiro não descarta nem as aulas de reforço escolar, momento em que o aluno se encontra com o professor da disciplina na qual apresenta alguma dúvida, mas em um grupo menor.

“Nesse momento, o estudante pode se identificar com algum aspecto que não fazia muito sentido na turma maior.” O ex-aluno Marcelo Sando, personagem da seção No Meu Tempo da última edição da revista Geração São Judas (número 10, junho de 2012), em seu depoimento, declarou que a oportunidade de participar do Projeto Reciclar contribuiu para que ele escolhesse seu caminho profissional.

Ele é autor do livro “Notas & Reflexões sobre Educação” e também criador de uma filosofia educacional chamada “Pedagogia da Compaixão”.

Atualmente, viaja pelo Brasil para falar sobre ela em eventos de educação. E, o mais importante, está feliz da vida.