Como lidar com os desafios da alfabetização

Alfabetização não é algo que acontece exclusivamente na escola. Trata-se de um processo, que começa em casa, num ambiente favorável às letras.

Um ditado muito comum entre os brasileiros prega que a educação vem de berço. Por mais simplista que pareça essa afirmação, não dá para negar que muito do nosso caráter e dos nossos valores são influenciados e moldados por acontecimentos vividos desde a tenra infância. Isso ocorre mesmo antes da entrada na escola, quando o termo educação é elevado a um status mais formal e cotidiano no dia a dia das crianças.

Parte integrante desse grande alicerce humano, a alfabetização também não pode ser vista como uma disciplina escolar com data marcada. Ela é um processo que começa em casa. “A vivência anterior em um ambiente letrado é essencial para o sucesso na alfabetização”, afirma Silvana Barros, pedagoga e professora , do Colégio São Judas Tadeu, escola na Mooca entre as mais tradicionais de São Paulo.

De acordo com a especialista, pós-graduada em educação inclusiva e psicopedagogia, os pais podem contribuir para esse desenvolvimento desde os primeiros anos de vida dos filhos. Nessa caminhada, não é necessário forçar uma interação direta da criança com a leitura e a escrita. Basta sistematizar rotinas de aprendizagem, como leituras compartilhadas, recontos de histórias e de fatos vividos, brincadeiras com letras móveis. Veja algumas sugestões de jogos que podem ajudar.

Para Silvana, a criança que não passa por essa rotina ou não vive nesse contexto alfabetizador pode apresentar dificuldades. Segundo dados do Ministério da Educação, cerca de 5% da população escolar do país enfrentam problemas na aprendizagem, sendo que grande parte desses casos passa despercebida dentro de casa, mas emerge na escola e impacta no desempenho das crianças.

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O papel do professor na alfabetização

A professora Silvana aponta para uma lista ampla de dificuldades, variando entre déficits físicos, neurológicos, sensoriais e emocionais. “Muitas vezes, mesmo crianças bem ativas e espertas sentem dificuldades em parar, ouvir, falar, contar algo e realizar atividades manuais. Essas posturas e habilidades são fundamentais para a alfabetização”, explica.

Um ambiente acolhedor e organizado, na opinião da professora Silvana, é o primeiro passo para guiar bem um aluno pela trilha das letras. Atenção e poder de observação constituem atributos fundamentais num professor. “O docente deve fazer um papel de mediador, promovendo intervenções que contemplem as diversas modalidades de aprendizagem.” Silvana ainda acredita que a prática alfabetizadora precisa ser envolvente, lúdica e significativa, sempre considerando os interesses e as habilidades de cada aluno.

A participação da família na alfabetização não deve perder força quando a criança vive esse momento de forma mais intensa na escola. O acompanhamento dos pais é decisivo nessa fase. Para Silvana, mostrar interesse na produção da criança faz diferença no desempenho dela. “Os responsáveis devem ajudar na solução de dúvidas relacionadas às atividades extraclasse e sempre incentivar a prática de estudos diários.”