Depressão na Adolescência e Infância

Você sabia que a Organização Mundial da Saúde (OMS) dedicou o Dia Mundial da Saúde deste ano, que aconteceu em 7 de abril, a uma campanha sobre depressão? Sim!

Essa decisão tem a ver com o aumento do número de casos no mundo. Estima-se que, nas próximas duas décadas, a depressão será uma das doenças mais recorrentes.

Ela ultrapassará o número de indivíduos com câncer ou que sofrem de problemas cardíacos, conforme aponta a OMS em dados de 2014.

Hoje, cerca de 400 milhões de pessoas lidam diariamente com um profundo e duradouro sentimento de tristeza e desesperança – ou seja, o equivalente a 7% da população mundial, sendo que a maioria está concentrada em países em desenvolvimento.

E não pense que a doença acomete apenas os adultos. O transtorno pode afetar pessoas de qualquer idade em qualquer etapa da vida.

A depressão na adolescência e na infância é um número crescente. Segundo a OMS, o índice de crianças entre 6 e 12 anos diagnosticadas com a doença saltou de 4,5% para 8% na última década.

As pesquisadoras Sheila Abramovitch e Lilian de Aragão afirmam em um artigo de revisão de própria autoria que a depressão na adolescência e na infância “pode se manifestar por sintomas, síndrome ou transtorno depressivo maior.

A depressão está referida a uma dor psíquica e a uma perda subjetiva, com as quais aquele sujeito, ainda, não encontrou defesas em sua estrutura psíquica para lidar.

O que faz alguém apresentar um transtorno depressivo em tão tenra idade é uma pergunta que permanece em aberto, pois dependerá do conjunto de interações entre fatores constitucionais e ambientais”

Como a escola pode ajudar a detectar a depressão na adolescência?

“O docente tem um olhar privilegiado por conhecer os alunos melhor que outros profissionais”, afirma o psiquiatra Rodrigo Bressan, coordenador do projeto Cuca Legal, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

“Quando os transtornos mentais são detectados precocemente, as chances de melhora aumentam. Para isso, é necessário realizar o encaminhamento do estudante logo que se percebe que algo não vai bem”, completa Rodrigo.

Piora no desempenho escolar, diminuição da assiduidade, mudança de comportamento, violência, evasão escolar e dificuldade de sociabilização com os colegas são alguns dos sinais.

Outro ponto importante a ser ressaltado é que os diagnósticos dos encaminhamentos devem ser olhados com cuidado. “Eles servem para que o médico defina uma conduta de tratamento e não para serem divulgados na escola”, pontua Bressan.

O Colégio São Judas Tadeu, escola na Mooca, está atento a essa questão. Quando um professor identifica um desses sinais, o caso já e comunicado à coordenação pedagógica que, em seguida, chama os pais para uma conversa.

“Nossa orientação é para que a criança ou o adolescente seja encaminhado para checkup médico, pois podem estar faltando substâncias no organismo que estejam provocando essa situação”, explica a professora Karem Cristina Moreno Trigueirinho, do 3º ano do Ensino Fundamental, que também é psicóloga e psicopedagoga.

“No adolescente, isso é muito comum por causa da alteração hormonal. Descartada essa hipótese, daí os pais devem procurar um psicólogo para a terapia”, orienta a professora

A depressão é uma doença grave e que pode, inclusive, levar ao suicídio. Dados do Mapa da Violência, organizado pelo Ministério da Saúde, mostram que de 2002 a 2012, o número de suicídios entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos aumentou 40%.

Na faixa etária de 15 a 19 anos, a incidência também cresceu em 33%. Por isso, vale destacar, toda a atenção ao comportamento de nossas crianças e nossos adolescentes.