Recentemente, um assunto foi destaque na mídia: a avaliação dos cursos de medicina no Brasil. Algumas siglas (ENARE, ENAMED e ENADE), em especial a segunda, tiveram destaque. Todas elas têm como propósito avaliar, cada uma dentro de sua natureza, os cursos de medicina ofertados no país.
O ENARE tem por objetivo principal classificar candidatos para preencher vagas de residência, é um concurso organizado pela EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Governo Federal), é competitivo porque os candidatos concorrem a uma vaga em hospitais federais, universitários e instituições aderentes para fazer a residência contra outros pretendentes.
O ENAMED, por sua vez, tem como finalidade avaliar a qualidade da formação do médico, é organizado pela AMB (Associação Médica Brasileira) e Sociedades de Especialidades, é avaliativo, os concluintes concorrem contra si próprios e têm a possibilidade de obter um certificado de proficiência para enriquecer o currículo. Além disso, está focado na avaliação do indivíduo e das IES.
Em relação às notas e aos critérios estatísticos, para o ENAMED, a nota de corte é fixa. É necessário atingir 60 pontos (calculados pela escala TRI) para ser considerado “proficiente” e receber o certificado. Para o ENARE, por ser uma seleção competitiva, não existe uma nota de corte fixa para passar. A nota necessária depende da concorrência para a especialidade e do hospital escolhidos. Existe, entretanto, uma nota mínima de eliminação (geralmente 50% ou 50 pontos) para que o candidato não seja desclassificado automaticamente.
Em suma, para o ENAMED, adotando a Teoria de Resposta ao Item (TRI), a nota não depende apenas de quantas questões acertou, mas de quais acertou. O ENARE, usando a Teoria Clássica dos Testes, uma questão vale um ponto. O foco é acertar o máximo possível, independentemente da dificuldade da questão.
Fora do escopo dos dois exames, há de se considerar mais um, o ENADE, com notas de 1 a 5, o qual avalia os cursos de graduação, não apenas o aluno individualmente, considerando a média Brasil. Quem tira nota 3 está próximo à média, 1 e 2, abaixo da média, 4 e 5, acima da média.
Considerando especificamente os resultados do ENAMED, os números acendem um alerta: dos 351 cursos de medicina avaliados, apenas 14% alcançaram nota máxima (conceito 5), e, aproximadamente, 30% dos cursos
receberam conceitos 1 ou 2, considerados insatisfatórios pelo MEC. É preciso, portanto, ter atenção ao desempenho, em especial das instituições de ensino privadas, porque as mensalidades estão entre as mais caras do ensino superior.