Reclassificação, não!

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Você sabe o que é reclassificação? Para quem não sabe, trata-se de um procedimento que uma escola adota para aceitar a matrícula de um aluno na série seguinte mesmo ele tendo sido reprovado em outra instituição. Pode parecer uma fórmula interessante, mas não é. Por quê? Ao tomar esse caminho, o que a família está dizendo ao filho é “faça o que quiser, pois sempre vamos dar um jeitinho”.

O Colégio São Judas Tadeu, escola na Mooca entre as mais tradicionais de São Paulo, acredita na capacidade de todos os seus estudantes. Por isso, não aceita alunos por meio da reclassificação. Para o diretor José Ribeiro Filho, permitir que alguém avance sem ter atingido desempenho suficiente é contribuir para a criação e a permanência de um déficit cultural. Trata-se de um paliativo que se transforma, com o tempo, em dificuldades ainda maiores.

“A reclassificação é um grande prejuízo na vida escolar e na formação do sujeito. É uma forma de dizer que ele não precisa ter compromisso com nada”, argumenta. “Mas a vida não é assim. Ou será que, numa entrevista de emprego, alguém vai falar por ele no futuro?” Ribeiro orienta que, em vez disso, é preciso dar apoio ao adolescente para que ele arque com a consequência de sua postura e possa recuperar o que foi perdido, de maneira construtiva.

Função da escola

É fundamental que fique claro para todos os envolvidos no processo pedagógico – pais, estudantes e comunidade – que ele é intencional. Cada orientação passada por professores, coordenadores e diretores é uma peça-chave na formação escolar de uma pessoa. E não só nisso, mas também na formação do indivíduo para a vida. Se a escola envia tarefa para casa, existe uma intenção bastante sólida por trás disso. Também não é à toa que professores optam por oferecer trabalho em grupo em alguns momentos e, em outros, tarefas individuais.

Quem reprova, em geral, raramente frequentou as aulas de reforço ou não entregou os trabalhos solicitados ou, ainda, não demonstrou esforço para evitar a retenção. É para isso que a escola serve: para permitir que cada estudante cresça. E crescer (em todos os sentidos) implica em desenvolver uma habilidade essencial: a responsabilidade. Ela se manifesta de muitas formas, impulsionando o aprimoramento de outros comportamentos positivos. Uma pessoa responsável é ponderada porque analisa as consequências daquilo que faz. É forte, porque arca com tais consequências. É generosa e atenta, porque entende que seu comportamento influi diretamente no bem-estar coletivo. É autônoma, porque precisa fazer escolhas.

Quando os alunos estão mais crescidos, e é preciso deixar que caminhem com mais autonomia, uma confusão bastante comum acaba por prejudicá-los. Acreditando no amadurecimento do filho, a família simplesmente deixa de acompanhar a sua vida escolar. Essa é uma linha tênue. Como dar ao adolescente liberdade e oportunidade para ser responsável sem abandoná-lo à própria sorte, sem orientação? (leia mais sobre o tema “responsabilidade” na Revista Geração São Judas)

Por que dizemos não à reclassificação

Por que dizemos não à reclassificação

Reclassificação, não!

As famílias que escolhem o caminho da reclassificação, geralmente, são motivadas por dois principais motivos: não querer que seus filhos sofram por ficarem retidos na série enquanto quase todos os colegas passaram de ano e por entenderem isso como uma situação vexatória; e por questões financeiras, já que algumas famílias tendem a observar quanto de dinheiro foi gasto com a reprovação de um ano. Para o diretor administrativo Ivan Trigueirinho, do Colégio São Judas Tadeu, há aprendizagem para os pais, inclusive nessa hora. “Também observamos que é pela dor que costuma haver transformação e mudança de postura. O desenvolvimento de um estudante e sua alteração de comportamento vale para toda uma vida.”

Nem sempre o São Judas foi contra a reclassificação. Quando a medida foi autorizada com a alteração da Lei de Diretrizes e Bases (Lei 9394/96), a escola passou a considerá-la, mas observou que a maioria dos alunos não entendia esse processo como uma nova oportunidade e mantinha os mesmos hábitos que tinham na instituição de origem quanto à desatenção e à indisciplina. “Somos convictos porque experimentamos e entendemos que ela não é saudável para a Educação”, afirma Ivan.

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Comentários da Matéria

2 comentários

  1. Auricélia -

    Parabéns!!!!!

    Que colégio digno, se morasse aí, só por essa posição pedagógica, que é também filosófica era nesta escola que meu filho iria estudar.

  2. Maria Fátima Carrascoza Ruiz Ribeiro -

    Parabéns! Ótima reflexão e posicionamento sobre a reclassificação. uma escola exercendo o papel real da escola!

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