Pais Separados, e Agora? Qual é o Papel da Escola?

Por Cristiane Marangon da SoHan

Ter pais separados nem sempre é fácil. A situação afeta não apenas ao casal, mas toda a família. Os mais prejudicados na história são os filhos e esses precisam de ajuda para entender como será a nova rotina e o que irá mudar.

A escola pode ajudar a lidar com essas mudanças, entretanto, o primeiro passo é que, tão logo a decisão seja tomada, a equipe escolar seja comunicada.

Parece estranho fazer isso antes mesmo de comunicar outros membros da família ou a própria criança, mas o fato é que o segundo ambiente social de uma criança é a escola – o primeiro é a família.

No entanto, nem sempre é isso o que acontece. A situação piora quando os filhos são maiores. Os pais separados muitas vezes não veem a necessidade de comunicar a escola. É aí que pecam.

“Pela minha experiência, é tanto ou mais importante que isso seja feito, pois os adolescentes se fecham dentro de seus problemas e acabam, por vezes, tendo alterações no comportamento e queda na produção escolar, devido a seus conflitos”, explica Mônica Miotto Bertolini, coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental I, do Colégio São Judas Tadeu, escola na Mooca.

Com a escola notificada, é possível reunir professores e funcionários e fazer uma comunicação sobre a situação do aluno e orientar a equipe sobre como apoiar e aconchegar, se necessário.

“Muitas alterações comportamentais, além do comprometimento da aprendizagem, podem acontecer com a criança ou o adolescente que tem pais separados”, esclarece Monica. “Mas só podemos ajudar, se estivermos cientes da situação”.

Pais brigando com criança ouvindo

A escola pode ajudar a criança e o adolescente com orientação e apoio no momento da separação dos pais.

Atualmente, a guarda compartilhada, que significa que ambos os pais dividem as responsabilidades, as decisões e a rotina no que diz respeito aos filhos, é a primeira opção quando os pais se separam e começam a discutir a guarda dos filhos.

Apesar de existir essa modalidade no Código Civil Brasileiro desde 2008, ela só se transformou uma regra recentemente, com o novo Código Civil.

“A guarda compartilhada é para a criança ter o mesmo ambiente que tinha antes da separação”, afirma especialista em direito de família José Eduardo Coelho Dias, em entrevista à rádio CBN Vitória (http://beta.gazetaonline.com.br/cbn_vitoria/comentaristas/jose_eduardo_coelho_dias/2017/03/acompanhamento-escolar-dos-filhos-na-separacao-dos-pais-1014038301.html).

Um ponto importante é contar para os filhos o que deve mudar na vida deles com a separação. Quem se encarrega de marcar o dentista, em qual escola estudarão, quem vai levar e buscar, como serão as férias, entre outros. Esses detalhes dão segurança às crianças e aos adolescentes.

E como a legislação não dá conta desses detalhes, é importante que os pais esqueçam os motivos da separação (e até do que acontece depois dela) e tenham essa conversa esclarecedora focada nos interesses dos filhos.

Pais em tribunal decidindo a guarda

A guarda compartilhada pode ajudar os filhos a sentirem menos o impacto da separação.

“Notamos, muitas vezes, que os pais separados não comunicam os filhos sobre as causas da separação e nem as mudanças, criando uma grande ansiedade e conflitos, que podem levar a problemas na escola”, relata Mônica.

Independente de qualquer razão que motivou o divórcio, o bem-estar dos filhos deve estar em primeiro lugar. “Os pais devem deixar muito claro para eles que a separação é do casal”, orienta a coordenadora do São Judas.

“A criança e o adolescente devem saber que não existe ex-pai ou ex-mãe. Eles são importantes na vida deles e que isso não vai mudar”, finaliza.

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